
VISUAL IDENTITY
VISUAL IDENTITY URBAN DANCE MEETING
Written by: Leonardo (Rapman)
O encontro de Danças Urbanas foi um importantíssimo movimento integrador dentro do Hip Hop Capixaba. É indissociável você pensar em cultura de Rua no Espírito Santo e não citar o Encontro de Danças Urbanas (EDU) que foi, não só um ponto de encontro para amantes do Hip Hop e de dança, como um polo de atração para jovens interessados em integrar-se à cultura das danças urbanas. O evento não apenas revelava novos talentos, como também mobilizava indivíduos que, mesmo sem grandes ambições artísticas, desejavam participar e sentir-se pertencentes àquela comunidade cultural. Junto ao enorme sucesso que foi este marco cultural no nosso estado, podemos observar a identidade visual que foi se criando partindo da UDES (União dos Dançarinos do Espírito Santo) e se transformando organicamente junto com a comunidade que participou do EDU.
A importância das cores primárias, secundárias e neutras na representação do movimento
No que diz respeito à identidade visual no Encontro de Danças Urbanas, a UDES se utilizou muito de elementos neutros para a construção de logos. Contrastes fortes de vetores preto e branco facilitavam a reprodução destas marcas em qualquer tipo de mídia que eles quisessem, desde camisas e bonés até adesivos, stencils e marcas d’água.
Nos cartazes era observada uma presença marcante de cores neutras, como preto, branco e tons de cinza e detalhes vibrantes utilizando uma presença viva das cores primárias ou secundárias. As cores neutras remetem ao espaço urbano, em contraste com as cores vivas, trazem uma pegada jovem e energética. Ainda havia uso de texturas ásperas e manchas, dando sensação de concreto, parede descascada ou ruas da cidade. O contraste utilizado nessas cores foi inteligentemente apropriado de modo que conversasse com o espírito das Danças Urbanas.
Como a estética urbana molda a identidade visual do Encontro
Um movimento se faz com pessoas e cada um tem a sua própria maneira de representar a si e o que faz. Cada dançarino no EDU tinha seus próprios canais de comunicação e postavam com frequência sua vivência no ambiente das danças urbanas. O que era observado era uma presença do filtro sépia, que, além de deixar a imagem mais quente, também remetia a valorização do Old School. As pessoas queriam se ver representando uma cultura que tem uma história impactante.
Quando você observa as roupas, nota-se um estilo casual de rua (moletom, boné, tênis, bandanas) que reforça a autenticidade da cultura urbana. Cenários como ruas, espaços abertos, piso xadrez, boombox, pick-ups, vinis, grafites e fundos urbanos sempre aparecem ou são sugeridos, tanto nas fotos e vídeos como nos cartazes. Muitas imagens focam na performance dos dançarinos, capturando movimentos amplos, saltos e giros e a sensação geral das imagens é de força, liberdade e expressividade.
O grafite, o asfalto e a dança: símbolos da resistência e expressão
Na tipografia utilizada pela UDES, podemos observar que algumas imagens têm letras com aparência grafitada ou em alusão a stencil, bem características de ambientes de rua, arte urbana e cultura hip-hop. Conversando não apenas com quem já é do movimento, mas com culturas de rua próximas que acabavam se aproximando mais, como o skate e o bmx. A urbanidade neste contexto é fundamental. Cada produção visual do EDU remete diretamente a espaços urbanos, sua crueza e vitalidade.
Temos ainda a presença marcante de linhas retas, elementos assimétricos e colagens que remetem à desconstrução e ao movimento. Desconstrução e movimento dialogam diretamente com o graffiti e a dança. Compondo finalmente o resultado estético que formou o imaginário espírito-santense quando remetiam ao termo “danças urbanas”.
Construindo uma imagem viva e dinâmica para o evento
Diante de tudo o que foi mostrado, podemos perceber que o corpo dos dançarinos é a própria linguagem do ambiente urbano. Tudo nas imagens passa a ideia de algo que não para, exatamente como as danças urbanas. Isso tudo sem esquecer a diversidade. A variedade de estilos e expressões corporais aponta para uma identidade que valorize diferentes influências culturais. E realmente, era impressionante a diversidade presenciada dentro de um Encontro de Danças Urbanas. Cada um tinha a sua vez e a sua voz, sem discriminação, e essa era, com certeza, a coisa mais bonita neste ambiente!